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Estimativas apontam que hoje em dia haja cerca de 40 milhões de escravos pelo mundo todo. Na melhor das hipóteses, eles trabalham no mínimo 12 a horas por dia, há relatos que chegam a 16 horas, em troca de “dinheiro” que nem sempre é o suficiente para pagar por um prato de comida e uma cama para dormir.

Aos que conseguem equipamentos para melhorar o desempenho de suas tarefas pensando ser melhor remunerados, na maioria dos casos recebem todos os tipos de ameaças, tais como; você ainda nem pagou pelas  fermentas nem pelas despesas do armazém e além do que o alojamento é quase de graça.

Há escravos estrangeiros e escravos nacionais; os nacionais ainda têm a esperança de uma fuga mais disfarçada, aos estrangeiros isso se torna muito mais difícil, uma vez que a língua o denuncia; o que nos faz lembrar  da história acontecida ali às margens do Jordão:

“Os gileaditas, então, tomaram as passagens do rio Jordão por onde fugiam os homens de Efraim sobreviventes. Sempre que um efraimita buscava fugir, os homens de Gilead perguntavam: “Você é efraimita?” Se respondesse que não, diziam: “Então diga: shibboleth” a pronuncia os condenavam.”

Diante de tudo isso em pleno Século XXI, a gente há de se rebelar enquanto temos força, e quando nos faltar forças, não nos faltará indignação para afrontarmos esses malditos exploradores.

A Maçonaria jamais deve ficar inerte diante de tudo isso, antigamente a Maçonaria agia e o maçom não aparecia ao contrario de hoje há muitos maçons que não entendem que a Maçonaria não é só  mídia nem programa de televisão.

Alguns maçons se destacaram como incitador dos Obreiros que deveriam trabalhar em prol aos mais necessitados; um desses foi o nosso Irmão Rui Barbosa que entre outros maçons abolicionista fez propostas e projetos de lei de Abolição obrigatória a maçons apresentado em 1870 quando fazia parte do quadro da Loja América, em São Paulo.

(Por/J.Coutinho:.)

 

 

Ruy-BarbosaPRINCÍPIOS  ÉTICA   E HONESTIDADE !

 

IRMÃO RUI BARBOSA DE OLIVEIRA

Rui Barbosa de Oliveira (Filho de João José Barbosa de Oliveira e Maria Adélia Barbosa de Oliveira) Rui Barbosa nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de novembro de 1849.

Seu pai, que dirigiu a Instrução Pública do Estado da Bahia durante anos, foi a principal influência em sua formação e o responsável por incutir nele o amor pelos livros e o respeito à documentação em suas pesquisas.

Depois dos estudos preparatórios na Província natal, Rui iniciou os estudos em Direito na Faculdade de Recife e, em 1868, transferiu-se para a Faculdade de Direito de São Paulo.

Nesta cidade, participou do grêmio literário Ateneu Paulistano, dirigido por Joaquim Nabuco, junto à Castro Alves, e começou a escrever regularmente como jornalista.) ingressou muito cedo na Maçonaria, contrariando assim, a resolução atual da maioridade (21 anos) não respeitada naquela ocasião o que já não foi um bom começo para o intelectual defensor da verdade ao ter a sua idade aumentada em 2 (dois) anos para acertar os registros da data ruy-barbosada Iniciação não lhe causou boa impressão, mas, mesmo assim, deu inestimável contribuição à Maçonaria. Sua participação nos quadros da Maçonaria foi por menos de 2 (dois) anos..

Ainda com 19 (dezenove) anos de idade) sendo contemporâneo de Joaquim nabuco, Castro Alves, Américo Brasiliense, Joaquim Saldanha Marinho, Luiz Gama entre outros jovens fantásticos.

Os jovens se rebelam. ainda bem !

Os Obreiros da Loja América parece que todos eram intelectuais e na sua maioria republicanos, o que fez com  que eles tivessem atitudes revolucionárias e claramente abolicionistas, a ponto de elaborarem um Projeto de Lei e tentar convencer a cúpula do Grande Oriente Brasileiro par a sua resolução.

 

Um quinto para abolição é a proposta a qual esse projeto foi apresentado pelo Irmão Rui Barbosa, à Maçonaria; e que tempos depois, a Maçonaria faz doação do seu original à Casa de Ri Barbosa” 
Loja América em São Paulo -SP

Loja América em São Paulo, Loja em que Rui Barbosa foi iniciado quinta-feira  01/07/1869

 

Projeto de Lei de Abolição obrigatória a Maçons apresentado em 1870 pelo Irmão Rui Barbosa na Loja América, em São Paulo -SP. (Excetuando-se o Art. 4º)

Art. 1º – Sendo verdade  inconcursa que a emancipação do elemento servil e a educação popular são, hoje, as duas grandes idéias que agitam o espírito público e de que depende essencialmente o futuro da nação, a Maçonaria brasileira declara-se solenemente a manter e propalar esses dois princípios, não só pelos recursos intelectuais, da imprensa, da tribuna e do ensino, como também por todos os meios materiais atinentes a apressar a realização dessas idéias entre nós.

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Art. 2º – Todas as Lojas Maçônicas instituídas no país, tanto as já existentes como as  por vindouras, não poderão alcançar nem continuar a merecer o título de Oficinas regulares e legítimas sem que adotem pelo mesmo modo esses dois princípios sociais, comprometendo-se a trabalhar por eles com eficácia e tenacidade.

Art. 3- Todas as Lojas Maçônicas sujeitas ao Grande Oriente Brasileiro, assim presentes como futuras, ficam obrigadas a abrir no orçamento de suas despesas, uma verba especial reservada ao alforriamento de crianças escravas.

§ 1º – Essa verba será proporcional à soma total da receita de cada Loja, de maneira que seja sempre um quinto da receita total.

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§ 2º – Esse termo proporcional será aplicado invariavelmente a todas as Lojas.

§ 3º – Ficam também obrigadas, todas as Oficinas brasileiras, a empregar todos os esforços possíveis, dentro da esfera dos seus recursos pecuniários, a fim de divulgar ativamente a educação popular, criando nos seus competentes Vales, escolas gratuitas de ensino primário, já noturnas ou domingueiras, parra adultos de todas as classes, já diurnas e diárias, para crianças de um e outro sexo.

Art. 5º – Nenhum indivíduo poderá mais obter o título e os privilégios de legítimo maçom, sem que primeiramente, antes de receber a iniciação , declare livres todas as crianças do sexo feminino, que daí, em diante, lhe possam provir de escrava sua.

§ único – Essa descaração será escrita e assinada pelo respectivo neófito e por testemunhas idônea, escolhidas dentre os maçons presentes, em número bastante para que venha a produzir todos os efeitos legais.

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Art. 6º – Todos aqueles que já se acham iniciados em qualquer Oficina Maçônica do brasil ficam igualmente obrigados, logo que for promulgada essa lei, a lavrar um compromisso em que declare livres todas as crianças do sexo feminino, filhas de escrava sua, que possam vir à luz desse momento em diante.

§ único – Essa declaração será escrita e assinada pelo respectivo in apenso e por testemunhas idôneas, em número suficiente, a fim de que possa produzir todas as consequências legais.

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Art. 7º – Para essas declarações de liberdade, haverá, em cada Oficina, um livro particular, numerado e rubricado pelos delegados do Grande Oriente, ou, em falta deles, pelo Venerável da Loja.

§ 1º – As declarações serão feitas por cada maçom de, per si não se admitindo nunca que mais de um indivíduo subscreva o mesmo compromisso.

§ 2º – Cada declaração individual será lavrada em uma das folhas do respectivo livro.

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Art. 8º – Se qualquer indivíduo recursar-se  a fazer a declaração referida nos artigos 5º e 6º, se ainda não for maçom, não poderá nunca ser iniciado, e se já for, ficará”ipso facto” coberto por toda Maçonaria Brasileira, sendo a respectiva Loja obrigada a comunicar essa ocorrência ao Grande oriente e as Oficinas mais próximas ou àquelas que forem situadas em qualquer lugar para onde tenha de seguir o maçom suspenso.

§ único – Essa suspensão será levantada logo que o indivíduo, comparecendo na sua antiga Oficina, lavrar e subscrever o compromisso mencionado.

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Art. 9º – Se qualquer maçom, apesar de ter escrito e assinado a declaração indicada nos artigos 5º e 6º, continuar a criar e manter, ilegalmente, na escravidão as crianças a que tenha dado liberdade pelo seu compromisso, fica a respectiva Loja obrigada a participar logo e logo esse delito ao Grande Oriente, o qual tanto que receber essa comunicação, declarará o delinquente excluído do Grêmio da Maçonaria Brasileira, como desobediente aos decretos do Grande Oriente, ficando privado de todos os títulos, direitos, privilégios e dignidades que possuir.

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Art. 10º – No caso figurado pelo artigo antecedente, cumpre à respectiva Oficina escolher sem demora pessoa competente, que processe o criminoso perante os tribunais civis, servindo-se do compromisso por ele escrito e assinado, afim de obter a sentença de liberdade em favor das crianças mantidas em injusto cativeiro.

Art. 11º – A Loja Maçônica que não satisfazer rigorosamente as obrigações determinadas nos artigos precedentes, será pela primeira vez repreendida e intimada para cumpri-las e se resistir, ficará suspensa como refratária às leis do Grande Oriente Brasileiro.

 

Art. 12º – Todas essas disposições, cuja aplicação à Maçonaria Brasileira depende ainda da resolução do Grande Oriente, começam a vigorar dese hoje como lei positiva no seio da Loja América.

João Ferreira e sua babá, Mônica ( Wikimedia Commons, Museu Afro-Brasil)

João Ferreira e sua babá, Mônica ( Wikimedia Commons, Museu Afro-Brasil)

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(Por/J.Coutinho:.)
Rev. erdade/glesp 04/1988